relato de experiência em Portugal..

Esta semana tive a alegria de ver meu relato publicado em PORTUGAL ... não poderia deixar de compartilhar com vocês.

Lidar com um aluno com autismo,
mesmo quando não se tem uma especialização
Myrian de Rezende Martins

A Myriam conta-nos a forma como aceitou incluir na sua classe uma criança com autismo, mesmo não sendo especilizada. Refere-nos as estratégias que utilizou e dá-nos um testemunho vivo do que é possível fazer, desde que se acredite na capacidade das crianças aprenderem e desde que se procurem os apoios da família, dos outros professores e das outras crianças.

A minha experiência com o Pedro (criança com autismo) começou em 2008, quando o recebemos no nosso Jardim de Infância. Era uma criança que, juntamente com as restantes, necessitava de nosso carinho, dedicação, atenção e ensino. No entanto, o Pedro era diferente dos demais do grupo, pois, apesar dos seus 5 anos não falava, fugia da sala e não interagia com os demais colegas, mostrando uma extrema agitação .
Ao longo do ano lectivo, eu e auxiliar de desenvolvimento infantil, Edneia, fomos juntas construindo saberes, pesquisando e conquistando o Pedro para que pudesse avançar, dentro de suas potencialidades. A nossa prioridade era que ele aprendesse a brincar, a interagir com os colegas e também que compreendesse as regras sociais e a rotina da sala e da escola. Durante este tempo fui dialogando com a mãe sobre a importância da integração da família com a escola e ela pôde-me dar importantes dicas de como melhor agir com o Pedro. Era uma mãe muito participativa.
Os demais alunos tornaram-se pequenos professores do Pedro e colaboravam connosco, ensinando e estimulando o Pedro a envolver-se nas brincadeiras e nas demais atividades e ele, em cada dia, apresentava progressos e integrava-se com as atividades e a rotina da escola.
Ao final do ano, juntamente com a equipe de inclusão da Secretaria de Educação do Município, foi decidido que o Pedro permaneceria por mais um ano na Educação Infantil, de modo que pudesse desenvolver a linguagem oral, aperfeiçoar o relacionamento social e também pudesse ter oportunidade de um maior desenvolvimento cognitivo.
Ao longo de 2009, pudemos colher os frutos de um trabalho árduo que envolveu as várias pessoas que com ele criaram vínculos e que, actuando por vezes de forma intuitiva e, por vezes, como resultado de estudos e pesquizas, proporcionaram a este aluno caminhos para o seu desenvolvimento.
Atualmente o Pedro diz frases simples, interage melhor com os colegas e funcionários, participa das festas da escola,dançando com a turma, o que emocionou a todos, reonhece seu nome e conta até 10.
Enfim, o Pedro é um aluno que nos desafiou, mas que também nos trouxe a possibilidade de perceber o quanto é possível oferecer a estes alunos, que
tantas vezes são discriminados . O Pedro não só nos fez acreditar na inclusão, como também nos fez sentir educadores inclusivos, a pesar de não termos especialização.
De facto acredito que é possível dar a todos a mesma oportunidade, assim como fizemos com o nosso Pedro.

A Myriam é licenciada em Pedagogia e, actualmente, exerce funções de Educadora de Infância no Brasil nas Prefeituras de Taboão e de S. Paulo.
Pode ser contactada através do e-mail:miriam.rzm@hotmail.com

site :http://redeinclusao.web.ua.pt/files/fl_84.pdf

Comentários

  1. Simone disse ...
    Amiga fico feliz por ver frutos do seu trabalho. A inclusão é um caminho que está sendo construido e vc colabora para essa construção, mostrando dedicação, amor,competência e resultados. PARABÉNS !!!!!!Essa matéria é muito importante principalmente para quem ainda não consegue ver a inclusão com um olhar mais liberto de preconceitos e dificuldades. vc é uma profissional especial!!!!!!!Abraços de SUA AMIGA e aprendiz de inclusão Simone.

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